Cérebro feminino no corpo masculino

Minha reflexão da madrugada sobre padrões de gêneros hetero-normativos kkkkk (eu tô rindo, mas é um assunto sério)

2020.08.02 07:52 JCrystalZ Minha reflexão da madrugada sobre padrões de gêneros hetero-normativos kkkkk (eu tô rindo, mas é um assunto sério)

Espero que o número de pessoas desconstruídas e que tem amor próprio (do tipo que é saudável) cresca nesse mundo. Sabe, estamos numa era moderna, já se passaram os tempos em que tínhamos que lutar e correr pelas nossas vidas. Estamos numa situação em que podemos nos unir para que os debilitados consigam forças e se tornem pessoas saudáveis, principalmente mentalmente. E que temos pessoas ruins entre nós também, e que muitos, não importa o gênero, se unissem contra o mal, tem sim capacidade de combatê-lo. Onde a mulher, há muito tempo tem provado que não é inferior, e que o homem não precisa mais vestir armaduras de orgulho e frieza. Muitos de nós queremos cultivar o respeito pelas diferenças, e libertar o melhor que pode existir em nós mesmos e assim sermos partes diferentes, mas necessárias de um todo. Alguns pensamentos de exclusividades de gênero masculino e feminino em algum momento criou raízes em nós, por causa de nossos antepassados, mas alguns de nós se desfizeram disso e estão fazendo diferente e confrontando esses padrões estabelecidos. E eu gosto muito disso. Me parece que isto é um caminho para a libertação da ignorância e desigualdades. Já ouvi na opinião de pessoas que homens estão se tornando "bixas". Mas não. Nós, humanos, fazemos aquilo que é necessário para cada situação. Incrível como temos tantos padrões e esquecemos que tudo começa apenas por causa de corpos de sexos diferentes. Mas todos temos cérebro. Mesmo que os hormônios ajam diferentemente, todos pensamos e temos capacidade de amadurecer e aprimorar habilidades. Por que aprisionar a si mesmo a um certo comportamento? Deveríamos refletir no quanto estamos nos esforçando em coisas que nem sabemos porque estão ali. São coisas tão vazias, que se alguém que ridiculariza ou insulta um comportamento não-padrão em relação ao sexo da pessoa, for questionado até o fim, veríamos em como simplesmente seguimos adiante no futuro com coisas que serviam no passado. Como se esquecêssemos que o futuro sempre é novo e que nunca poderemos deduzir o que haverá firmemente. Minha reflexão da madrugada, espero que isto seja benéfico para quem leu ♡ e estou aberta a qualquer questionamento ou debate sobre isso, não pretendo impor meus ideiais de vida para as outras pessoas, mas sei que uma conversa pode ajudar muito a esclarecer dúvidas, até mesmo aquelas que nem temos ainda.
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2020.01.13 03:28 ToPoDjiDjO Transexualismo.

Os semideuses do século XXI adoram vociferar que o gênero está na cabeça da pessoa e não é definido pelo sexo biológico, que não é definido pelo que a pessoa tem no meio das pernas. Então seria correto afirmar que o transexualismo é uma desordem mental? Ou seja, um desequilíbrio ou até mesmo um distúrbio mental? O que pode também abrir espaço para uma possível "cura gay", ou "cura transexualismo", certo? Ora, se é uma coisa que tá na cabeça, então pode ser tratada, não é mesmo? Como qualquer outro distúrbio mental, não?
E se for uma coisa "real", que realmente uma mulher nasce dentro de um corpo de um homem (tem o cérebro de uma mulher em um corpo de homem) por que essa "mulher num corpo de homem" tem uma vida perfeitamente saudável? Pois, como sabemos, os cérebros humanos são iguais em quase todas as funções, porém eles tem suas particularidades entre as mulheres e os homens. Por exemplo, eu não sou nenhum biologista nem nada do tipo, mas lembro bem das aulas de biologia do ensino médio que o cérebro masculino produz hormônios especificamente para um corpo masculino, assim como o da mulher também produz as coisas para um corpo feminino. Então COMO os transexuais que estamos habituados a ver por aí não sofrem desses problemas de saúde por terem um cérebro que é "incompatível" com o corpo que possuem? Eu tenho certeza que, se por algum acaso fosse possível o transplante de cérebro (coisa do filme 'Corra' mesmo), um cérebro de um homem não aceitaria muito bem o corpo de uma mulher, e acho que o indivíduo passaria a tomar medicamentos para o resto da vida! Para que não dê nada de errado com o cérebro ou com o corpo.
Se não é um distúrbio mental e nem um cérebro do sexo oposto ao do corpo, então só pode ser mais uma coisa: COMPORTAMENTO! Só pode ser isso então. Se não for doença e nem algum problema genético que tenha feito um cérebro feminino nascer num corpo masculino e vice-versa, a única alternativa plausível é que isso é causado pelo comportamento do indivíduo. E por mais que as relações sociais sejam coisas palpáveis no que tange ao conhecimento e estudo biológico, o comportamento é uma coisa que o próprio indivíduo constrói, não é?! Pelo que eu saiba, uma pessoa não nasce com um tipo certo de comportamento! Com exceção de pessoas mentalmente doentes, como os autistas, mas eu não quero comparar os transexuais com autistas e nem dizer que transexuais são definitivamente deficientes mentais.
Mas se é um COMPORTAMENTO, por que este tipo de comportamento deve ser "aceito" na sociedade? Ou melhor: por que esse comportamento tem que ser de, certa forma, enfiado goela a baixo na sociedade, mais especificamente nas escolas onde existem crianças que nem possuem suas aptidões físicas e mentais totalmente desenvolvidas ainda? Por que batem tanto na tecla de ideologia de gênero principalmente nas pessoas que estão especificamente nessa faixa etária?
E o mais importante: por que as pessoas deveriam ganhar "regalias" do Estado por possuírem um certo tipo de comportamento? Não é difícil encontrar células do movimento gayzista ou transexualista que querem que a cirurgia de mudança de sexo seja oferecida pelo SUS. Então o SUS deveria fazer também implantes de silicone em mulheres e também fazer aumento peniano em homens, não acham?! Ora, se ele está facilitando o comportamento de uma parcela da população, por que não pode atender as mulheres que desejariam ter seios maiores ou homens que desejariam ter um pênis maior? Não são todos certos tipos de aspectos comportamentais? O transexual não está satisfeito com o seu sexo, a mulher de peito-tábua quer ter peitos maiores, e o descendente de orientais quer ter um falo maior... são todos aspectos comportamentais.
E aí?! O que vocês acham?
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2020.01.05 21:20 ankallima_ellen As Aventuras de Gabi nas Terras do Estrogênio – Quinquagésima Oitava Semana

Uma das perguntas mais comuns que fazem quando alguém transiciona socialmente de gênero versa sobre mudanças na sexualidade. Ora, se já estamos rompendo com a cisnormatividade obrigatória, o mínimo que a sociedade espera que façamos é consentir com a heterossexualidade compulsória. Questionaram-me diversas vezes sobre como ficaria o meu relacionamento com a minha esposa agora que eu me assumia como mulher. Talvez, ela tenha sofrido ainda mais com essa indagação do que eu, afinal tinham tantas outras coisas com as quais me interrogar. Contudo, essa contraparte da história é dela para contar. Restringirei-me, pois, a dissertar a seguir sobre como a transição afetou a minha sexualidade.
De certo apenas que desde que me entendo por gente sinto atração apenas por mulheres. Não me lembro de em nenhum momento ao longo de minha vida de sequer achar algum homem bonitinho. Claro que meu cérebro poderia estar confundindo as coisas. Custei muito para perceber que as sensações de gostar de uma garota e querer ser ela poderiam estar emaranhadas. Similarmente, o meu asco por homens poderia ser apenas um reflexo da repulsão que sentia pelo meu corpo. O que a transição com a hormonização correta e a autoaceitação poderiam fazer com essas certezas? Como eu passaria a ver os homens e as mulheres e como seria vista em retorno? Eram questões que me inquietavam. Ainda mais com os diversos relatos sobre mudanças bruscas na sexualidade. Um certo medo do desconhecido se apossou de mim.
A curiosidade, no entanto, deixou esse momento da transição ao menos interessante. Passei a olhar para mulheres e homens com olhos mais introspectivos tentando desemaranhar as sensações. Certas vezes, ficava-me claro: essa é uma garota que eu queria ser, já essa, uma com quem eu adoraria ficar. Com isso, percebi muitas das projeções que fiz inconscientemente sobre a minha esposa. Coisas que sugeri que ela fizesse, simplesmente porque eu gostaria de fazer, mas sentia que me eram proibidas por ser homem. Por algum motivo que ainda desconheço, piercings e tatuagens eram inerentemente femininos na minha cabeça e, por isso, incompatíveis com meu corpo masculino. Não me surpreende, pois, o importante papel que minhas aventuras pelas modificações corporais tiveram no processo de aceitação da minha transgeneridade.
Se por um lado a descoberta e aceitação da minha homossexualidade foi um processo razoavelmente natural, apesar dos receios inerentes em demonstrá-la abertamente, o processo dual foi bem mais complicado. Não posso negar que uma das coisas mais desconfortáveis no começo da minha transição social foi começar a cumprimentar homens com beijinhos. Um certo nojo me acometia toda vez. Isso sem contar, a estranheza quase beirando o constrangimento da situação quando envolvia algum colega que me conhecera pré-transição, em que nenhuma das partes sabia muito bem como proceder. Um misto de transfobia com homofobia enraizada de alguns homens que ainda não conseguiam me enxergavam como mulher. Claro, alguns amigos mais próximos simplesmente viraram instantaneamente a chavinha, mas isso foi muito mais a exceção do que a regra. Em contrapartida, alguns colegas ainda me cumprimentam com um aperto de mão distante, enquanto fazem questão de dar beijinhos em todas as outras mulheres presentes. Invalidação à parte, certas vezes agradeço esse privilégio.
À despeito desses pequenos percalços, uma certeza é que meu nojo por homem apaziguou-se conforme fazia as pazes com minhas características mais masculinas, resultado de uma hormonização errada. A hipótese estava correta. Não tinha asco por homens, apenas me odiava o suficiente para que esse ódio fosse despejado sobre meus pseudossemelhantes. Uma das partes mais engraçadas desse processo de redescoberta foram amigas me mostrando fotos de homens que achavam bonitos para tentar descobrir se me atraía por alguns. Todas falharam miseravelmente. Tesão absolutamente nulo.
Revisitar e, consequentemente, redescobrir minha sexualidade aos 35 anos foi um exercício bem interessante de aprendizado e aceitação. Muitos preconceitos tiveram que ser questionados e desmantelados. Homens não são seres intrinsecamente nojentos. Além do que não há nada que a princípio me proíba de ter um relacionamento com um. Apenas, falta-me tesão. Entendo-me atualmente como exclusivamente homoafetiva e homossexual. Contudo, se aprendi alguma coisa nesse processo é que mudanças são inerentes à natureza humana. Devemos abraçar a nossa fluidez e estarmos abertas a novas experiências.

Que esse novo ano traga mais alegrias que tristezas!
Um beijo e um queijo.
Gabi
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2019.07.19 06:26 taish Dez coisas que eu aprendi nesses 1295 dias de transição [e um recado]

E se pudesse voltar no tempo, diria pra mim mesma, na noite em que decidi transicionar, louca pra sobreviver, no mínimo
(E aquela versão minha não acreditaria de jeito nenhum, a cabeçuda, porque demora pra enxergar mais que um palmo à frente no meio de tanto frio na barriga)
 
 
Bonus track, bottom line, tl;dr: vai e confia, gata. Vai mesmo sem confiar, segue cambaleante, vai ainda que fracassando temporariamente, sofre se for pra sofrer pra poder passar por isso e aprender e sair dessa melhor, aprende aos tropeços, acerta e erra, dá cabeçada mesmo, que esse é o jeito. É assim pra todo mundo. Não precisa ser perfeita, porque nem as perfeitas são perfeitas — e mesmo que fossem, não seriam perfeitas. Só acredita, e quando não der pra acreditar, deita e abraça no bicho de pelúcia e chora, porque te cabe, porque tu contém todos os tempos do mundo, todas as idades: bebê, criança, adolescente, jovem e velha; dorme que vem um novo dia, que é um novo despertar da esperança. De verdade, porque cérebro cansado e sobrecarregado de ansiedade, tem horas que só o descanso salva — e um par de vezes durante essa transição salvará, literalmente. Mas vai adiante, que no adiante tem futuro, e esse futuro vai ser formado de vários presentes, e muitos deles vão ser melhores do que tudo que tu sentiu na tua vida até aqui. Porque estar na tua própria pele, conquistar teu corpo, teu espaço, teu nome, teu grito: faz tudo valer a pena. E faz justiça por aqueles e aquelas que não puderam: que essa é a nossa sina trans, de sofrer, conquistar, e inspirar.
 
Nesses três anos e sete meses, já escrevi minha vida da frente pro avesso, por dentro e por fora — em anotações que guardei, nas que joguei fora, nas que confiei que levava comigo mesmo sem anotar, e principalmente nos fóruns trans do Reddit. Já vou chegando no ponto onde vejo que transição tem final, sim — não o amadurecimento, ou as mudanças, essas seguem; mas transição, ir de A a B, essa sim, finalmente, parece abarcável e atingível. Daí que, conjugadas as inquietações múltiplas de inícios de transição que, enfim, se aquietam, e as reflexões todas que já foram refletidas, e a disforia que persiste, mas vai cedendo e sendo controlada; escrevo e transbordo e me derramo menos, e vou podendo dedicar essa energia e tempo pra outros usos. Mas até por isso, sigo aqui no nosso espaço como guardiã, pitaqueira, mana e sister e amiga legal e amiga chata e até mesmo de mod fundadora. E se boto, todas as semanas, e mesmo todos os dias, mesmo aqueles em que nem eu nem ninguém posta nada por aqui — minha energia e tempo pelo nosso sub, é porque tenho muito carinho por esse cantinho, por todos que aqui estão, e principalmente por aqueles ainda descaminhados, que nem conseguem juntar coragem de se abrir, conversar, quiçá revolucionar-se. Às vezes parecemos quietinhos enquanto sub, e às vezes pareço quietinha ou distante como pessoa, mas não se enganem: não tem espaço igual a esse na nossa faminta internet trans brasileira, e o que vamos construindo com nossas conversas, conteúdos, desabafos e suspiros, vai criando as condições pra mais e mais de nós encontrarem a informação que precisam pra se libertar. E eu estou aqui, pro que puder ajudar. Não sei muito, e minha nossa, o que eu tenho pra aprender ainda não tá no gibi! Mas enquanto eu puder, vou estar aqui pra dividir com todxs voxês. Contem comigo que, como andam dizendo por aí, tamo junto.
<3
 
E claro, um prompt pra finalizar: pra quem já transiciona, o que você diria pra sua versão rudimentar de início de transição? Se ainda não transiciona, o que espera aprender no caminho? Conta pra gente nos comentários!
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2018.11.29 02:33 taish Dois anos de E/HRT: um relato

trilhazinha fofa~
...Parece que foi ontem. Nada como um clichê pra começar, mas parece mesmo. Um aspecto muito interessante da transição é que ela cai como uma luva, e fica até difícil de lembrar que as coisas foram diferentes. Não que as memórias (e aquela dor toda) não existam mais; mas a transição de personas acaba tão confortável, natural, correta, que não parece que no passado eu performava outro gênero. O normal é tão normal que parece que nem está ali. É difícil de explicar; mas se eu não lembrar conscientemente do passado, é como se aquela experiência nem tivesse existido. Existem cicatrizes e feridas abertas, ainda tenho muita disforia de diversos tipos, e estou longe de estar "pronta" (seja lá o que isso signifique); mas num momento qualquer, sem prestar atenção, é como se eu tivesse sempre vivido no meu gênero.
Não posso provar, mas tenho certeza de que só posso sentir isso por estar com o hormônio correto. Agora, por contraste, percebo quanto atrito o hormônio oposto me causava.
Minha terapia hormonal demorou onze meses. Iniciei a transição em janeiro, passei a full-time em junho, e comecei estrogênio em novembro. Já sabia que queria; a espera foi pra ingressar no ambulatório do SUS, e no meio tempo revirei a cidade e não encontrei um endocrinologista que me atendesse. Apesar da ansiedade excruciante — e minha nossa, poucas ansiedades são tão ansiosas quanto esperar por HRT, a consciência não dá descanso —, o primeiro ano de transição foi tão intenso e complexo que acabei feliz por ter levado menos de um ano.
Tinha bastante medo de que meu corpo não respondesse bem aos hormônios, ou de forma insuficiente, já que iniciei aos 38. Sabia que genética é bem mais fator do que idade, mas temia mesmo assim. Foi preocupação em vão, porque sinceramente, não tenho do que reclamar. E olha que demorei um ano pra atingir e estabilizar nos níveis corretos. Comecei com seis meses de estrogênios conjugados, em dose baixa. Aumentei a dose e passei pra valerato de estradiol nos seis meses seguintes, e adicionei antiandrógeno. Durante esse primeiro ano, tive níveis baixos de estradiol e a testosterona resistia em diminuir. Solucionei tudo isso passando a usar 17b-estradiol sublingual no segundo ano. Hoje tenho bons níveis com uma dose médio-baixa, segura e eficiente. Se tem algo que eu faria diferente, é pesquisar bem, muito bem, a HRT antes; perdi muito tempo, tomei porcaria, e só melhorou quando eu mudei a rota de administração por minha conta — e atualizei minha endo por tabela. HRT é na verdade bastante simples, mas os protocolos usados no Brasil estão muito desatualizados. E apesar da neura e pressa na busca pelos níveis hormonais corretos, tive todos os efeitos previstos. A verdade é que a gente não tem informações suficientes relacionando níveis e resultados — mas ao mesmo tempo, é natural buscar se assegurar das melhores alternativas.
Uma coisa bacana que aprendi com a HRT foi dar tempo ao tempo, e acreditar nele. As coisas mudam devagarinho, em pequenos incrementos. Amadurecer no hormônio certo é um grande efeito em si, e é alentador perceber que, aos poucos, vamos mudando. E que mesmo quando a gente tá acostumada, ainda se surpreende com pequenas mudancinhas aqui e ali. E pode acreditar: a gente é incapaz de dizer, imaginar, como vamos mudar com a HRT — principalmente as mudanças no rosto. Iniciei a transição tentando fazer as pazes com o fato de que seria uma ogra pra sempre, mas vejam só: nem sou. Eu não me dava nenhuma chance nem tinha qualquer expectativa, hoje o espelho nem briga muito comigo. (Quase sempre.) É um processo muito legal e suficientemente indistinguível da magia (pra citar a terceira Lei de Clarke). Em que pese todo o inferno e as frustrações de ser trans, é fascinante a noção de estarmos mudando profundamente e por completo nossos corpos, ativando expressões genéticas que já contemos. Antes da transição, rejeitava HRT porque me parecia um jeito fake de mudar. Não podia estar mais errada: HRT é um jeito absolutamente natural de corrigir. É dar ao corpo a chave de código certa, e deixar que ele tome conta do recado. É uma das melhores partes da transição, sem dúvida, e é uma perspectiva única e interessante poder curtir a (segunda) puberdade.
Vou deixar minha listinha de resultados porque sempre ajuda quem procura informação, tem curiosidade, ou está questionando se esse é o caminho pra si. Mas lembrem que alguns efeitos variam bastante de pessoa pra pessoa!
Quando comecei a HRT, sabia o básico, mas procurei ler o mínimo possível acerca dos resultados, porque queria evitar me influenciar pelas experiências dos outros, e também pra doer menos caso nada acontecesse. Acho que foi positivo, pois pude curtir cada mudança com mais espotaneidade e menos expectativa. Como às vezes é difícil separar o que foi efeito da HRT, e o que foi efeito placebo/concomitante (afinal, minha vida mudou por completo), como referência, vou partir da tabela de efeitos de E/HRT da WPATH (Associação Mundial para a Saúde Transgênero). Sempre lembrando: os "prazos" previstos pressupõem níveis hormonais dentro das faixas-alvo (ou seja, estradiol/E2 e testosterona/T em níveis femininos), o que pode normalmente demorar meses em idas e vindas ao endocrinologista para estabelecer as dosagens corretas — já que o corpo leva aproximadamente três semanas para estabilizar cada mudança de dosagem. Por isso, não leve os intervalos de tempo muito a sério, e ps vejam apenas como uma linha-guia genérica.
1 Redistribuição da gordura corporal
Sim. Comecei a HRT com o peso mais baixo possível, e depois de seis meses me permiti ganhar peso lentamente, até chegar a ~seis quilos. Queria bunda e peito; foi quase tudo pras coxas! Minha bunda foi de "negativa" a "mínima", então já conto como vitória. Não tive flutuação de volume dos seios com o peso. As coxas já tinham bom tamanho, e agora estão saindo do controle. Infelizmente não perdi nada de barriga :( O que lá estava, lá permanece. Mas também era querer demais; não fiz exercícios localizados pra ajudar, admito e subtraio do resultado.
Nesse quesito também incluo as alterações no rosto, já que são relacionadas à suavização via acumulação de gordura em padrão feminino. Essa parte foi a mais surpreendente pra mim, porque tinha certeza que estava além da possibilidade de qualquer mudança. Percebi diferença a ~12 meses; foi quando me olhei no espelho e disse mas ué, tem alguma coisa diferente. Comparando antes e depois, as diferenças são absolutamente sutis, mas inegáveis. Durante o segundo ano, meu rosto arredondou e ficou ainda mais feminino, o que me deixa esperançosa pros resultados cumulativos que vem adiante. Como "efeito colateral", laser, HRT e mudança de hábitos me rejuvenesceram uns bons cinco anos.
2 Diminuição da massa musculaforça
Não sei, na real. Nunca fui musculosa. Não percebi diferença na força.
3 Suavização da pele/diminuição da oleosidade
Sim! Principalmente a oleosidade da pele e dos cabelos, que antes eram um problema sério, e hoje são controláveis com os produtos e a rotina certa. Essas mudanças são relacionadas à testosterona e vieram rapidamente quando inicei o antiandrógeno (questão de dias). Minha pele já era macia porque eu hidrato diariamente há anos, mas ainda assim percebi significativa melhora nesse quesito ao longo do tempo. Principalmente em áreas protegidas do corpo (colo, parte interna dos braços), que ficaram maciíssimas.
4 Diminuição da libido
Sim, quando iniciei antiandrógeno. No começo, somente com estradiol, não houve diferença alguma; quando controlei a testosterona, pude atingir o verdadeiro zen de um espaço mental finalmente livre da constante interferência, insistência, e chatice da libido.
Mas não é apenas uma diminuição: é também uma modificação bastante significativa de forma. Antes, tesão era o simples latejar da "coisa". Agora, é absolutamente oposto: nada objetivo, nada concentrado, e bem mais difícil de explicar. É tipo uma ânsia que vem com um calor que toma conta de todo o corpo, principalmente o peito. Ainda não sei bem; não exploro essa parte, porque essa configuração genital ainda presente me deixa muito mal e travada. Mas às vezes, me invade, sem motivo aparente, durante atividades rotineiras. E é bem divertido.
5 Diminuição de ereções espontâneas
Sim, quando iniciei antiandrógeno. Iniciar estrogênio sem bloquear testosterona me trouxe disforia genital muito forte (e era algo que não havia experimentado antes da transição). As respostas e movimentos insistentes, principalmente quando passei a full-time, me enlouqueceram, e até o formigamento pré-ereção da glande me deixava com uma raiva enorme de tudo. A adaptação ao estradiol, a intensificação das emoções, somada à insistência do padrão de libido da testosterona, foi muito contraditória e me causou sérias crises pelo simples sentir da coisa ali em seu lugar. Já sabia que queria CRS, nesse período ficou totalmente óbvio. Quando baixei a T, a disforia melhorou um pouco — a inércia total é uma bênção —, mas ainda me incomoda bastante.
6 Disfunção sexual masculina
Nenhum interesse nessa função; a coisa tá aposentada, e pra todos os efeitos, é inútil. Nenhuma reclamação a esse respeito.
7 Crescimento mamário
Sim! Ufa! São pequenos, mas do mesmo tamanho da minha irmã, um pouquinho maior que o da minha mãe, e em linha com o que tenho na família — então, por enquanto, vai dando a lógica.
Meus seios tiveram basicamente dois grandes períodos de crescimento, e aparentemente nada fora destes. O primeiro foi do início do estrogênio até o quinto mês; mas o mais significativo foi o segundo, do 13° ao 16° mês, quando ganharam boa massa e forma. Agora já fazem oito meses sem movimento :( Medinho de terem completado seu crescimento, vejamos o que o terceiro ano traz. Hoje ainda os acho muito pequenos para o meu tórax, mas se ganhar um pouco mais de seio, dispenso de vez as intenções de colocar prótese. A experiência do desenvolvimento dos seios é uma das coisas mais legais da face da terra, aliás. Pra mim foi como se, pela primeira vez, meu corpo estivesse fazendo algo certo pra mim. Me trouxe uma conexão corpo-mente que eu não jamais havia tido até então. De fato, tem sido tudo que eu imaginava que seria.
8 Diminuição do volume testicular
Sim. A previsão de atrofia é três a seis meses, mas percebi a partir do segundo mês de T nos níveis certos. Fazer o "tucking" era péssimo, extremamente desconfortável... e hoje eu nem percebo. Nem preciso mais colocar na posição, só de ajeitar o kit na hora de colocar a calcinha, eles já vão sozinhos pra sua casinha. Devem estar com metade do tamanho, parecem um caroço de ameixa. Admito um certo prazer sádico por ver os maledettos assim, patéticos, atrofiados, e com os dias contados.
9 Diminuição da produção de esperma
Sim. Quando da manutenção obrigatória necessária à saúde do sistema, nem preocupa mais qualquer sujeira. Gotinhas incolores. Não deve cobrir o fundo de uma tampinha de refri.
10 Perda e crescimento desacelerado de pelo corporal ou facial
Em partes. Sim? Em alguns lugares foi bem óbvio: eu tinha uns 20 cabelos no peito, eles desapareceram yay. Nas pernas diminuiu, mas não o suficiente pro meu gosto (sou obcecadadamente anti-pelos). Nos braços diminuiu bastante. No rosto, já tinha feito quatro sessões de laser antes da HRT, então não pude perceber os efeitos.
11 Calvície de padrão masculino
Pouca diferença. Tenho entradas horríveis que me causam enorme disforia, elas persistem e eu e minha dermatologista já meio que jogamos a toalha, que o dano já foi feito. Em dois anos de minoxidil + finasterida, apenas recuperei um pouco de volume no topo, e interrompi o processo de perda, o que é excelente.
Efeitos não listados pela WPATH
12 Mudança do odor corporal
Que estranho isso não estar na tabela da WPATH, porque é algo totalmente relacionado à testosterona dominante. Sim! Um par de meses depois de adicionar antiandrógeno, percebi que minhas roupas sujas no cesto não estavam mais empestando o banheiro ao se acumular. Foi um dia marcante: tinha saído pra fazer exercícios, voltei toda suada, percebi que a pilha de roupas não tinha aquele cheiro azedo. Peguei a camiseta suada com que tinha caminhado e cheirei, e não tinha cheiro de nada. Um cheiro de... água fresca? O mais engraçado foi perceber meu cérebro fazendo "illogical... does not compute", já que esperava o mesmo cheiro que percebeu a vida toda. Comecei a rir, achando graça, chorar, emocionada, e cheirando repetidamente a camiseta suada, como que pra compreender e superar o evento ilógico. Foi muito divertido.
13 Diminuição do tamanho dos pés
Esse é um assunto polêmico! HRT não altera estruturas ósseas, logo, pés não deveriam diminuir — e não diminuem na maioria das vezes. Mas noutras, diminui! Talvez seja algo ligado à perda de musculatura. Só sei que, desde que comecei HRT, diminuí os sapatos de 42 pra 40, o que foi um gigantesco salto em qualidade de vida. Perdi todos os calçados do começo da transição, que estão grandes demais pra usar, mas não reclamo, não não.
14 Mudanças psicológicas
É geralmente difícil apontar o que foi causado efetivamente pela alteração de perfil hormonal, e o que foi efeito das outras mudanças — autoaceitação, suporte familiaamigos, transição social, amadurecimento, sair de uma vida em segredo, etc. Mas um efeito bastante comum e que, concordo, é causado pelo estrogênio, é um aumento na intensidade, na amplitude, e no alcance das emoções. Elas invadem e se tornam impossíveis de bloquear. Elas ficam MUITO mais fortes, e às vezes vem múltiplas, em conjunto, simultaneamente — é como ir de mono pra polifonia surround. Nunca senti nada remotamente parecido antes da HRT, e isso inclui momentos incríveis de euforia do início da transição. Às vezes elas vem com uma reação de corpo inteiro, como que com tremores por dentro do corpo. E já disse que elas ficam inescapáveis? A definição também aumenta: os vales ficam ainda mais baixos, e os picos, ainda mais altos. A reboque disso, percebi um aumento na capacidade empática. Já tinha bastante, hoje é algo que toma conta por completo. O "sentir o outro" fica muito amplificado. Sento pra ver tevê e choro com qualquer coisa. Descobri uns oito tipo de choro diferentes, aliás. Meu preferido é o em que as lágrimas escorrem sozinhas, sem espasmos da face ou sons. Só as lágrimas.
Também coloco aqui o surgimento de um desejo de maternidade. Passei a vida me sentindo meio incomodada por crianças, afirmando que não queria filhos, e não queria mesmo. Hoje percebo que o que eu não queria era ser pai. Descobri o desejo de ser mãe sem querer, um dia assistindo crianças comendo no youtube, e chorando desesperadamente. Sinceramente, sempre tive medo da hora em que fosse sentir falta do meus ovários e do meu útero, e tem sido tão difícil como parece. Antigamente, crianças me irritavam fácil. Hoje é absolutamente impossível segurar um sorriso ao ver qualquer pequeno — dia desses passei por uma creche e tinha uns dez pitocos brincando e eu quase derreti na calçada. E quando eles sorriem pra gente? Sou capaz de narrar todas as vezes que me aconteceu. Apesar da impossibilidade de ficar grávida, curto muito essa mudança, porque acho que ela tem muito a ver comigo. E a melhor parte é que eu posso deixar esses sentimentos jorrarem, sem mais vergonha, ter que esconder, empilhar entulho no caminho. Eles vem e eu abro caminho e as coisas ficam certas. Ainda não podemos comprovar os efeitos psicológicos da HRT, mas se eu fosse chutar, concordaria com os que dizem que nossos cérebros simplesmente funcionam melhor sob o hormônio certo dominante. Não é à toa, nem um pouco à toa, que HRT (junto à transição) é o melhor tratamento pra disforia de gênero.
Como vocês podem notar, poderia passar dias falando sobre minha experiência com HRT — mas fiquemos por aqui por ora. Quaisquer dúvidas, só chamar nos comentários!
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2015.12.15 20:18 MarceloMosmann Obesidade não é simplesmente uma escolha

Obesidade é um dos maiores problemas de saúde no mundo, e vem normalmente acompanhada de várias outras doenças, que combinadas matam e fazem sofrer milhões de pessoas por ano.(1, 2) Essas doenças incluem diabetes, doença cardiovascular, câncer, derrame, demência, síndrome do ovário policístico, disfunção erétil, artrite e outras.
Obesidade e Força de Vontade
Quando o assunto é ganho de peso e obesidade, muitas pessoas acham que engordar é simplesmente uma questão de falta de força de vontade. Culpam a falta de força de vontade e a preguiça pela obesidade.(1, 2) Isso é ridículo! Esse tipo de pensamento só faz o obeso se sentir mal consigo mesmo, acreditar que a culpa é só dele, quando na verdade não é! O que precisamos é encontrar uma forma de resgatar a saúde do obeso, mas esse tipo de pensamento o prende nessa condição de gordura e doença. Concordo que ganhar peso (ou perder) é um resultado de nosso comportamento. Entretanto o comportamento humano é algo muito complexo. Somos guiados, muitas vezes sem nem nos darmos conta, por fatores como genética, hormônios, ambiente e questões de saúde. Comportamento alimentar é guiado, assim como comportamento sexual, por vários processos. Alguns desses fatores estão fora de nosso controle racional.
Dizer que esse comportamento e o ganho de peso que dele resulta é simplesmente uma questão de falta de força de vontade é muito simplista. Isso não leva em conta todos os outros fatores que determinam o que fazemos e o que deixamos de fazer. A força de vontade da maioria das pessoas desmorona frente à força desses sinais internos e externos. Estes são os fatores que acredito estarem causando a epidemia de ganho de peso, obesidade e doença metabólica, e eles não têm nada a ver com a vontade ou preguiça das pessoas.
Genética e Fatores Pré-Natais
A saúde é especialmente importante no início da vida, pois afeta tudo o que vem depois. Muita coisa é determinada, na verdade, ainda no útero da mãe.(1) A dieta e escolhas da mãe são de extrema importância, e podem influenciar os futuros comportamentos e composição corporal do bebê. Estudos demonstram que mulheres que ganham muito peso na gravidez têm normalmente filhos mais pesados quando estes estiverem com 3 anos de idade.(1) Da mesma forma, crianças que têm pais e avós obesos têm maior chance e serem obesas do que crianças que tenham pais e avós com peso normal.(1, 2) Os genes que recebemos dos nossos pais podem determinar se vamos ganhar muito peso ao não ao longo da vida.(1) Embora o que acontece no início da vida e fatores genéticos não sejam responsáveis exclusivos pela obesidade, contribuem no sentido de predispor as pessoas a ganharem peso. Isso não quer dizer que a obesidade seja totalmente predeterminada, pois nossos genes não são tão imutáveis como parece. Os sinais que mandamos para esses genes podem ter um enorme efeito em quais genes se sobrepõe aos outros. Esses sinais são as nossas escolhas de estilo de vida e dieta.
Nascimento e Hábitos da Infância
Não se sabe a razão, mas crianças nascidas de cesariana têm maior propensão a serem obesas.(1) Isso também se aplica a bebês alimentados com fórmula, que tendem a ser mais pesados do que aqueles amamentados pela mãe.(1) A razão pode estar na formação inicial da colônia de bactérias residentes no aparelho digestivo, o que pode afetar o modo como nosso corpo reserva gordura.(1, 2) Criar hábitos alimentares saudáveis logo nos primeiros anos de vida pode ser a maior forma de prevenir a obesidade e doenças que a acompanham.(1, 2) Crianças que desenvolvem gosto por comidas saudáveis ao invés de comida processada têm maior chance de manter um peso normal ao longo da vida. Quase metade das crianças obesas continuará obesa na adolescência, e 4 em cada 5 adolescentes obesos serão adultos obesos.(1)
Comidas Processadas "Superpalatáveis"
Comidas processadas hoje são pouco mais do que ingredientes refinados misturados a uma porção de produtos químicos. E não são apenas comidas, mas bebidas também, como refrigerantes e muitos tipos de sucos. Esses produtos são criados para serem baratos, durar bastante na prateleira e ter um gosto tão incrível, tão saboroso, que simplesmente não conseguimos parar de comer.(1) Ao fazer as comidas "superpalatáveis" ou "supersaborosas" os fabricantes garantem que comeremos muito, que compraremos mais para comer tudo e compraremos novamente.
Vício em Comida
Essa comida altamente processada, projetada para ser "supersaborosa", causa uma estimulação poderosa do centro de recompensa de nosso cérebro.(1) Sabe o que mais tem o mesmo efeito em nosso cérebro? Drogas como álcool, cocaína e nicotina. A verdade é que algumas pessoas podem ficar totalmente viciadas nessas comidas. As pessoas acabam perdendo o controle sobre seus hábitos alimentares, assim como um alcoólatra perde o controle sobre o uso do álcool.(1) Isso acontece com muito maior frequência do que você pode imaginar. Você com certeza conhece alguém, por exemplo, que toma aquele famoso refrigerante de Cola várias vezes ao dia. É bem sabido e comprovado que esse refrigerante tem alto potencial viciante. Vício é um assunto complexo com base biológica que pode ser bem difícil de superar. Quem se torna viciado em algo perde sua liberdade de escolha. A bioquímica do cérebro toma conta e começa a fazer escolhas que normalmente não são boas para o viciado.(1) Entre os obesos, 1 em cada 4 pessoas pode ser viciada em comida.
Disponibilidade de Comida
Houve no mundo, nas últimas décadas, um aumento gigantesco na disponibilidade de comida, especialmente comida processada. Postos de gasolina e qualquer lojinha agora oferecem produtos alimentares tentadores, verdadeiras bombas de açúcar, químicos e gorduras, de forma que comer por impulso se tornou extremamente fácil. Outro problema grave é que comida processada é normalmente mais barata do que comida de verdade. Algumas pessoas, especialmente em regiões pobres, nem mesmo têm acesso a comida de verdade. Os mercadinhos dessas áreas vendem refrigerantes, pão de forma branco, doces, margarina, comidas altamente processadas que duram na prateleira. Como isso pode ser uma questão de escolha se na verdade as pessoas não têm escolha?
Educação alimentar errada
Apesar da importância de uma nutrição correta, crianças e adultos geralmente não são ensinados como comer corretamente. Ensinar às crianças quais são os alimentos corretos, a importância de uma dieta saudável e nutrição apropriada, as ajuda a fazer melhores escolhas mais adiante na vida. Essa é a base dos hábitos alimentares que levarão para a vida adulta.(1, 2)
Marketing Agressivo (direcionado especialmente às crianças)
A indústria de alimentos processados é muito agressiva com seu marketing.(1) Suas táticas podem ser antiéticas e eles constantemente anunciam produtos nada saudáveis como se nos fizessem bem.(1, 2, 3) Muito desse marketing é direcionado diretamente às crianças, que estão se tornando obesas, diabéticas e viciadas em produtos que nem deveriam ser chamados de comida. Isso tudo está acontecendo antes mesmo que essas crianças tenham idade suficiente para tomar decisões conscientes sobre sua saúde.
Desinformação
Em todo o mundo as pessoas estão sendo informadas de modo errado ou falso sobre saúde e nutrição.(1, 2) A principal razão para isso é que as grandes companhias produtoras de alimentos patrocinam os cientistas e as organizações de saúde que dão suporte às declarações e ideias mais interessantes do ponto de vista financeiro. O único intuito é nos influenciar com suas pesquisas e recomendações.(1, 2, 3) Até a informação oficial promovida pelo governo parece ser planejada de modo a proteger interesses de empresas às custas da saúde da população. Não vou nem entrar em detalhes sobre o que se diz por aí sobre bacon, banana, leite, sal… Mas adianto que temos sido mal informados tem muito tempo, e o que acreditamos ser verdade não passa disso, uma crença. Uma crença sem base científica.(1, 2, 3) Como então podemos tomar melhores decisões se as informações a que somos expostos estão aí para nos enganar? Felizmente isso está começando a mudar.(1, 2)
Sono
Desde quando é motivo de orgulho dormir pouco? Pessoas que dormem nove horas por dia são chamadas de preguiçosas, enquanto aquelas que em cinco horas já pularam da cama são consideradas bons exemplos. Dormir mal é ligado a doenças cardíacas, diabete e depressão, além de ser um enorme fator de risco para obesidade. Isso mesmo, dormir pouco ou mal engorda!(1, 2, 3, 4) Além disso, a falta de uma boa noite de sono pode nos fazer ter mais fome. Também nos deixa cansados e com pouca motivação para comer direito e fazer exercício.(1) Um estudo revelou que homens jovens mantidos em regime de privação de sono por apenas uma semana desenvolvem resistência à insulina e gastam menos energia quando em repouso.(1) Outra pesquisa sugere que perder apenas 30 minutos de sono por dia pode apresentar consequências a longo prazo para o peso e metabolismo corporais.(1) Durma pouco por apenas 3 noites, umas 4 horas, e o nível de gordura no sangue permanecerá elevado, ao invés de acontecer uma redução gradual durante o sono. Esse nível aumentado reduz a sensibilidade à insulina e leva, com o tempo, à resistência.(1, 2, 3) A privação constante do sono, por problemas respiratórios ou outras causas, pode dobrar o risco de crianças se tornarem adolescentes obesos. Uma noite apenas de privação de sono tem pior efeito na redução da sensibilidade à insulina que uma dieta de "junk food" durante 6 meses. É isso mesmo, não dormir uma noite diminui mais a sensibilidade à insulina do que comer porcarias por meio ano!(1) Estamos dormindo muito menos do que dormíamos no passado, e o problema não para por aí. A qualidade do nosso sono também vem caindo. Sabe onde está o maior problema? Está no uso de luz artificial, telas de computadores, smartphones e televisores à noite. A exposição noturna à luz altera nosso ritmo circadiano, perturba o ciclo natural de dormir e despertar, que é crucial para o bom funcionamento do corpo e mente.(1, 2) Essa luz azulada que emitem acaba contribuindo para a obesidade, nos fazendo mais propensos ao ganho de peso e à síndrome metabólica, câncer e depressão.(1, 2, 3, 4) O bom sono é tão importante quanto uma boa dieta e exercício para nossa saúde, e é tão desprezado.
Poluição
Pois é, agora até respirar engorda!(1) A poluição provocada pela circulação de veículos, a queima de carvão para geração de energia, a fumaça dos cigarros e alguns compostos presentes em certos plásticos, pesticidas e solventes são as maiores fontes de preocupação, com suas partículas minúsculas e agressivas capazes de detonar inflamações generalizadas e alterar o metabolismo e a produção hormonal. No curto prazo os efeitos são mínimos, mas ao longo de vários anos esse contato com poluentes pode ser suficiente para causar doenças graves que vão além dos distúrbios respiratórios comumente associados à poluição.(1) O mecanismo exato ainda está em discussão, mas experimentos sugerem que a poluição do ar detona uma reação em cadeia no organismo. Essas partículas irritantes podem liberar no sangue uma enorme quantidade de moléculas inflamatórias, chamadas citocinas. Isso interfere na resposta à insulina e bagunça os hormônios e o processamento do apetite pelo cérebro. Tudo isso atrapalha o equilíbrio de energia do organismo, levando a uma série de problemas no metabolismo, como a diabetes e a obesidade, além de problemas cardiovasculares como a hipertensão.(1, 2) Os cientistas se preocupam especialmente com os efeitos nas crianças, e alguns chegam a considerar a hipótese de que os poluentes que uma gestante respira podem alterar o metabolismo dos bebês, tornando-os mais propensos à obesidade.(1, 2, 3) Estudos já concluíram que crianças que vivem em área com elevado tráfego rodoviário são mais gordas.(1, 2) Crianças também estão sujeitas à irritação das vias respiratórias e a quadros infecciosos. Em geral, o motivo mais comum é o crescimento exagerado das amígdalas e da adenoide, o que prejudica a oxigenação do organismo como um todo durante o sono. Como já vimos, noites mal dormidas podem levar ao ganho de peso, além de serem a origem de problemas comportamentais e de aprendizagem, como hiperatividade e agressividade. Fique atento, um dos primeiros sintomas é o ronco.(1) Os riscos podem estar dentro de casa também, pois o fumo passivo leva a um aumento de peso mais rápido em crianças e adolescentes. As soluções são conhecidas, mas difíceis de colocar em prática: diminuir a poluição atmosférica, redesenhar as ruas para que pedestres e ciclistas fiquem menos expostos diretamente às emissões, aumentar o número de purificadores de ar em casas, escolas e escritórios. Também se deve evitar o exercício ao ar livre em dias de muita poluição, ou ao menos evitar os piores horários. Não fumar, ao menos dentro de casa, ajuda muito.
Remédios e Condições de Saúde
Muitas doenças e condições de saúde necessitam de remédios para serem tratadas. Infelizmente o ganho de peso é um efeito colateral comum de muitas medicações. Estão aí incluídos os remédios para diabetes, antidepressivos e antipsicóticos.(1) Essas medicações podem aumentar o apetite, reduzir o metabolismo, fazer com que o corpo passe a armazenar mais gordura ou alterar sua capacidade de queimar gordura. Veja bem, não é uma "deficiência de força de vontade" o que é causado pelas medicações. Além disso, algumas condições de saúde podem predispor as pessoas a ganhar peso. Um exemplo é o hipotireoidismo.(1, 2, 3)
Exercício
Você não deveria fazer exercício com o objetivo de queimar calorias. As calorias queimadas durante o exercício são normalmente insignificantes, podem ser repostas facilmente ao comer um pouquinho a mais na próxima refeição. Ou você acredita mesmo que consegue fazer exercício e comer menos? Qual é a chance de que você, com fome, vá ter energia para se exercitar, por anos? Isso não é sustentável.(1) Entretanto, não me entenda mal, exercício é fundamental tanto para a saúde física quanto mental. Exercício, a longo prazo, pode ajudar a perder peso melhorando o metabolismo, aumentando a massa muscular e fazendo a gente se sentir incrível. Mas é muito importante que se faça o tipo correto de exercício. Tempo na esteira ou na bicicleta dificilmente vai dar bons resultados e quando feito demais pode até levar ao ganho de gordura. Quando uma pessoa realiza treinos mais longos, com baixa intensidade (aeróbios), além de ter uma queda do metabolismo, tende a liberar alguns hormônios que podem ser muito negativos para o objetivo de emagrecer. Isso até resulta em perda de peso, mas da pior forma possível. Veja bem, o que se está perdendo nesse caso é a massa magra, os músculos. O efeito é pequeno sobre a gordura corporal. Já os exercícios de curta duração e alta intensidade são o oposto dos aeróbios. Levam não só ao consumo energético durante a atividade física (que normalmente é menor do que em exercícios prolongados), mas têm influência também nos períodos de recuperação pelos estímulos hormonais que ocorrerão. Ocorre queima de calorias por muitas horas após o exercício, assim como ativação de enzimas ligadas à utilização da gordura corpórea como energia, além de melhora da resistência à insulina e de outros indicadores importantes de saúde.(1, 2) Musculação com cargas altas aumenta a massa magra e influencia de modo positivo nos hormônios, o que ajuda muito na perda de peso. Trabalhos com elevadas repetições, baixos níveis de esforço e baixas cargas não são um bom caminho. Treinos intervalados de alta intensidade são uma excelente maneira de entrar em forma que ainda por cima melhoram o metabolismo e aumentam os níveis de hormônio do crescimento, tão importante para uma vida saudável. Além de mais efetivos, treinos intensos têm menor duração e menor frequência semanal. Como a falta de tempo é um dos maiores motivos para o sedentarismo, esses treinos são a solução ideal para perda de gordura, além de aumentarem a chance de adesão a programas de exercícios. Pode tentar, mas você não consegue correr mais do que uma má dieta.(1, 2)
Estrogênio e Testosterona
Estrogênio é o hormônio sexual feminino, secretado pelos ovários. Umas das funções desse hormônio é influenciar uma enzima chamada lipase lipoproteica - LPL -, que por sua vez "puxa" gorduras da corrente sanguínea para dentro de qualquer célula a que esteja ligada.(1) Quando os níveis de estrogênio estão normais, a atividade da LPL é controlada e o corpo acumula pouca gordura. Mas se há pouco estrogênio há também mais LPL nas células de gordura, o que faz com que o corpo acumule gordura demais. É isso que faz engordar as mulheres que tiveram os ovários removidos ou passaram pela menopausa.(1, 2) O hormônio sexual masculino, testosterona, age da mesma forma, mas a LPL apresenta maior ação nos tecidos gordurosos da barriga. Após as menopausa a atividade da LPL na região abdominal das mulheres se equipara à dos homens e elas começam a acumular gordura ali também.(1, 2)
Poderosos "Hormônios da Fome"
Fome e alimentação descontrolada não são causados simplesmente por gula ou falta de força de vontade. A fome é controlada por hormônios muito poderosos, envolvendo áreas do cérebro responsáveis por desejos e recompensas.(1) Grande parte dos obesos tem a secreção e/ou recepção desses hormônios desreguladas, o que altera o comportamento alimentar e faz com que a vontade de comer mais e mais seja quase irresistível.(1, 2, 3) Quando comemos nosso cérebro secreta dopamina e outros químicos que nos dão prazer. Esta é a razão pela qual a maioria de nós adora comer. É um sistema que evoluiu para garantir que comêssemos o suficiente para ter toda a energia e nutrientes de que precisamos.(1, 2, 3) Pois a comida industrializada é feita de uma forma que acaba liberando muito mais desses hormônios. Assim sentimos muito mais fome e prazer do que seria normal, levando a um ciclo vicioso.
Resistência à Leptina
Leptina é um hormônio importante na regulagem do apetite e metabolismo.(1) É produzido pelas células de gordura e sua função é sinalizar ao cérebro que estamos "cheios" e devemos parar de comer. A leptina regula, assim, a quantidade de comida que ingerimos e a energia que gastamos, além de quanta gordura armazenamos.(1) Quanto mais gordura uma célula de gordura tiver, mais leptina vai produzir. Então pessoas obesas produzem grandes quantidades de leptina e deveriam se sentir satisfeitas antes, correto? Assim não comeriam tanto. Acontece que obesos tendem a ter uma condição chamada Resistência à Leptina, uma das principais causas da obesidade. Ainda que seus corpos produzam muita leptina, o cérebro não recebe essa informação de forma correta e "pensa" que está passando fome, mesmo tendo armazenada mais gordura do que precisa.(1) Isso causa mudanças fisiológicas e de comportamento, numa tentativa de armazenar a gordura que estaria em falta.(1) Aumenta a fome e o gasto de energia diminui, de modo a prevenir a desnutrição. Usar a "força de vontade" contra os sinais de fome e preguiça que se instalam é quase impossível para muitas pessoas. Alimentação exagerada e preguiça não são causas do sobrepeso, e sim consequências ou sintomas. Você não engorda porque come demais e gasta energia de menos. É o contrário: você come demais e gasta menos energia porque está engordando.
Insulina
A insulina é outro hormônio extremamente importante, que regula entre outras coisas o armazenamento e produção de energia. Seu papel principal é regular a quantidade de nutrientes circulando na corrente sanguínea. Embora regule principalmente o açúcar no sangue, também afeta a queima de proteínas e gorduras.(1) Ela faz nosso corpo guardar energia nas células de gordura e impede que as células musculares queimem gorduras da corrente sanguínea, queimando apenas açúcares. Qualquer gordura que conseguir escapar das células para o sangue acaba sendo armazenada novamente em alguma célula de gordura. Devido a várias razões, às vezes as células param de responder da forma esperada à insulina, ou seja, se tornam "resistentes" à insulina. O corpo então produz mais insulina, para que as células respondam da forma esperada, o que faz piorar essa "resistência" das células. Com o tempo o problema leva a danos no pâncreas - que produz a insulina -, altos níveis de açúcar no sangue - o que é tóxico - e diabetes tipo 2, entre várias outras doenças graves.(1, 2) Os níveis elevados de insulina no corpo fazem com que os nutrientes sejam seletivamente armazenados nas células de gordura, levando ao ganho de peso e obesidade. A Resistência à Insulina tem como principais causas a alimentação exagerada, ganho de peso, obesidade e gordura visceral - a famosa barriga de cerveja. Entretanto, pessoas magras também podem ser resistentes à insulina.(1, 2, 3) Há outras várias potenciais causas, entre elas problemas com as bactérias benignas do nosso sistema digestivo, o alto consumo de frutose, inflamações, e falta de atividade física.(1, 2, 3, 4, 5) Se você tem sobrepeso ou é obeso, especialmente se tem muita gordura na região da barriga, se tem baixo HDL - o "bom" colesterol - ou triglicerídeos acima do normal, as chances são de que você seja resistente à insulina.(1, 2)
Açúcar
Por fim, o pior componente da dieta moderna. Quando consumido em excesso, o açúcar muda a bioquímica e hormônios do corpo, contribuindo em muito para o ganho de peso e todos os males que se seguem. O açúcar adicionado aos alimentos processados - basta ler o rótulo, é de assustar como quase tudo tem adição de açúcar - é metade glicose e metade frutose. O maior problema está na frutose, que em excesso causa elevação dos níveis de insulina e resistência à insulina, pode causar resistência à leptina e não sacia da mesma maneira que a glicose. Isso acaba contribuindo para o armazenamento de energia nas células de gordura e obesidade.
Para Pensar
Não use este texto como desculpa para desistir e decidir que o seu destino é mesmo ser gordo e doente. O meu objetivo com o texto é mostrar às pessoas quais são os verdadeiros fatores responsáveis por essa epidemia de obesidade. Não é uma questão de "culpa individual", preguiça ou gula. A não ser que haja uma condição de saúde, o controle do seu peso e gordura ainda está em suas mãos. É possível emagrecer e permanecer magro. A informação para isso está cada vez mais disponível, basta estar aberto, se perguntar se o que você vem fazendo é o correto ou está levando a engordar e adoecer. Normalmente dá trabalho, não é fácil, requer algumas mudanças de estilo de vida, mas muitas pessoas têm sucesso mesmo tendo muitas coisas contra elas. Você também pode vencer este problema. Ah, ok, os obstáculos! Todos têm obstáculos. Verdade. O Obama tem, o Guga tem, a Fátima Bernardes tem. Até eu tenho obstáculos, imagina só! Só porque as pessoas são bem-sucedidas não quer dizer que não tenham suas pedras no caminho. Agora, o que essas pessoas fazem é superar. Elas superam os problemas e obstáculos. Ninguém nasce um sucesso. Ninguém é bem sucedido logo no início. Ok, ok, algumas pessoas têm uns obstáculos um pouco - ou um tanto - maiores. Mas isso é irrelevante, isso é só um teste. Família, dívidas, três empregos, quatro filhos, pé quebrado, ou mesmo dormir no chão da sala de um amigo. Ou pior, a gordura é tanta que fica difícil caminhar até a porta, você está desempregado e tem um cunhado maluco que te enche a cabeça e atrapalha a vida 24 horas por dia. Tá tudo bem, você nasceu para vencer. Isso tudo é só um teste. A pergunta importante aqui é a seguinte: você vai superar esses obstáculos e sair dessa mais forte? Ou vai ficar na mesma, seguindo o padrão de sempre, esperando lá no fundo que um dia tudo melhore mas na verdade vendo o barco afundar? É contigo determinar se esse obstáculo é algo a ser superado. Faz o seguinte, repete comigo: "Essa m**** é temporária, eu vou superar!" Eu gosto muito de uma pequena frase em Inglês, "relentless forward motion". Quer dizer Movimento à Frente Incansável. Ou seja, superação pura, sem se entregar, sem desistir. É focar em um objetivo e não parar até alcançá-lo. Não estou tentando dar uma palestra motivacional aqui. Estou só te dando a real. Se decidiu fazer algo, superar algo, não desista. Simples assim.
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